FARISEUS, SADUCEUS E A DESTRUIÇÃO DOS TEMPLOS DOS DIAS DE HOJE- Uma reflexão.
No início de nossa era um grupo de rebeldes judeus, revoltados com as imposições romanas, decidiu enfrentar o império, ficaram conhecidos como os zelotes. Estes empreendiam alguns ataques à guarnições romanas, mas não chegavam a ser grande ameaça. Contudo, com o reinado de Calígula os sentimentos judaicos anti-romanos, que já eram fortes, se intensificaram. No ano de 39 D.C. o desequilibrado imperador se auto-investiu de divindade e promulgou um decreto para que sua estátua fosse erigida em todos os templos do Império Romano Os judeus se recusaram a obedecer essa ordem, protestaram por meio de uma delegação enviada ao imperador e o mesmo, irado, os ameaçou de extermínio. Por obra de Deus, é obvio, Calígula morreu repentinamente, antes de cumprir essa ameaça. Mas os ânimos permaneceram exacerbados e os zelotes intensificaram suas ações contra guarnições romanas, estes resolveram por fim as revoltas culminando com um grande massacre e a destruição do templo em 70 D.C pelo exército do General Tito.
Segundo os próprios judeus, o primeiro templo foi destruído porque desprezaram a lei, o segundo porque desprezaram a si mesmos. Em parte estão certos. A própria escritura sagrada dos judeus diz, em Oséias 4.6: "O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos". Primeiro os judeus desprezaram a lei, os mandamentos e consequentemente não deram o valor devido ao seu único Deus, em segundo lugar desprezaram-se como nação escolhida e reerguida por Deus, este declarou a Abrão que todas as nações seriam benditas por conta de sua fé, mas o povo hebreu se mostrou céptico em relação a isso.
O primeiro templo foi o construído por Salomão por volta de 1100 a.C e destruído por Nabucodonosor II, em 587 a.C, o segundo templo que teve sua reconstrução iniciada em 339 a.C por Neemias e Esdras foi destruído em 70 d.C. por Tito.
Em Levítico (Vayicrá) 26, Deus adverte e estipula as sanções a ser colocadas sobre Israel caso não cumprisse os seus estatutos, os versos 25 e 31 desse capítulo fazem-nos perceber que se trata da destruição do primeiro templo porque adverte que a espada viria sobre Israel e que seriam aprisionados em suas próprias cidades, e que seus santuários seriam destruídos. E assim ocorreu.
"25 Porque trarei sobre vós a espada, que executará a vingança da aliança; e ajuntados sereis nas vossas cidades; então enviarei a peste entre vós, e sereis entregues na mão do inimigo (...) 31 E reduzirei as vossas cidades a deserto, e assolarei os vossos santuários, e não cheirarei o vosso cheiro suave."
Em Deuteronômio 28 (Devarim), o Senhor adverte que: "15 (...) se não deres ouvidos à voz do SENHOR teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão(...). 25 O SENHOR te fará cair diante dos teus inimigos; por um caminho sairás contra eles, e por sete caminhos fugirás de diante deles, e serás espalhado por todos os reinos da terra". Diferentemente dos versículos anteriores, neste verso Deus avisa que Israel será espalhado, e foi o que aconteceu após a destruição do segundo templo, a chamada diáspora.
As duas principais catástrofes que se abateram sobre Israel, e que são lembradas com muita tristeza, ocorreram por conta de não terem dado ouvidos à voz de Deus, ou seja, não cumprirem a palavra, os estatutos deixados por meio de seus profetas.
Quanto a terem desprezado a si mesmos, isso realmente aconteceu, mas é questão secundária - porque desprezaram primeiro a lei - ignoraram as prescrições de Deus e as diversas menções a serem o povo eleito para levar benção à todas as nações da terra, se voltaram para questões seculares, materiais. Na época do segundo templo seus sacerdotes estavam corrompidos pela sede de poder e pela ambição financeira.
Os Saduceus dominavam o templo na época de Jesus Cristo, pouco antes de Jesus ser crucificado Anás havia sido sacerdote, mas como este cargo passou a ser político, de confiança e escolha exclusiva do monarca romano, foi substituído por seu genro. Segundo alguns historiadores era Anás quem explorava o comercio nos átrios do templo de Jerusalém. O ex-sumo sacerdote parecia ainda ter bastante influência no governo de seu genro, e tudo indica que foi ele quem acertou o preço da traição com Judas, pois Jesus foi levado à sua casa logo que foi preso. Alguns judeus, por incrível que pareça, eram até gratos aos romanos por estes permitirem que mantivessem seu templo e religião. A expressão usada pelos anciãos judeus diante de Jesus, que clamavam em favor de um centurião cujo servo estava enfermo mostra bem esse sentimento de gratidão:
Lucas 7.5 "Porque ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga".
Os romanos suportavam a religião dos judeus simplesmente porque assim eles se mantinham relativamente pacíficos, mas faziam questão de controlar os líderes religiosos, que sem espiritualidade nenhuma se submetiam às ordens de um povo extremamente pagão. Os Saduceus eram das classes economicamente superiores em Israel, helenizados e por essência pouco espirituais, já que negavam a ressurreição da alma e não tinham esperanças escatológicas, ou seja, desprezavam a idéia de um messias redentor de Israel.
Por outro lado existiam os fariseus, extremamente zelosos em relação a lei, eram respeitados e tinham a simpatia do povo. Possuíam sentimentos nacionalistas e esperavam a libertação de Israel por meio do prometido Messias da casa de Davi, os zelotes eram um segmento da seita farisaica.
Os dois grupos religiosos não foram capazes de perceber o cumprimento da profecia messiânica, e levaram o povo também a isso, foram líderes cegos que prejudicaram toda uma nação. As profecias são tão claras:
“Deves saber e ter a perspicácia de que desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém até o Messias, o Líder, haverá sete semanas, também sessenta e duas semanas.” — Daniel 9:25.
Sete semanas mais setenta e duas = 69 semanas => 483 anos. Os judeus possuíam essas datas e poderiam ter previsto que aquele que apareceu naquele ano seria o Messias, exatamente 483 anos depois da ordem dada a Neemias para restaurar Jerusalém em 455AC. O Messias viria no ano 29DC.
Algumas pessoas, como os magos, Simeão e Ana, e outros não mencionados, aguardavam para essa data a chegada de Jesus, e foram recompensados por isso.
Lucas 2.25 Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. 26 E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor.
A seita dos Saduceus se helenizou, adquirindo características dos povos dominantes, a dos Fariseus também adquiriu essas características, pois esqueceu que Israel sempre vencera as batalhas na dependência de Deus, se tornaram insensíveis ao Espírito de Deus, que ainda falava por meio de seus profetas. As palavras de Estevão foram simplesmente o que dizia a Torah, mas ambos os grupos religiosos se iraram e consentiram na sua morte.
SADUCEUS E FARISEUS DO Sec.XXI.
Na atualidade ha grupos religiosos que se assemelham às seitas citadas. Uns são excessivamente materialistas, dizem que Deus não faz mais milagres, se apegando exclusivamente à letra escrita, a estes Paulo adverte: "a letra mata e o Espírito vivifica". Outros são excessivamente esotéricos, atribuindo poderes milagrosos a pessoas mortas, ou vivas, ou a objetos como sal e lenços. Estes criaram para si algumas escrituras, as chamam de sagradas, mas estas não são endossadas por Deus. Alguns estabelecem datas para a volta de Jesus, Ele não vem, então estabelecem outras datas.
E assim poderíamos descrever dezenas de lideranças equivocadas, que assim como os Fariseus e Saduceus, atiram o povo no inferno.
O acesso a Deus tem que ser individual. A consulta e entendimento das escrituras deve ser ensinada e incentivada pois só assim o homem consegue estabelecer contato íntimo com Deus. Paulo elogia muito os crentes de Beréia porque verificavam na Torah se o que falava era verdade. Os templos de Jerusalém, tanto o primeiro quanto o segundo, foram destruídos porque os judeus, líderes e liderados, descumpriam deliberadamente as escrituras e usavam o templo como um lugar de status e obtenção de riqueza. Do discurso de Estevão, que foi apedrejado, o que mais irritou os líderes religiosos foi o que disse acerca do seu templo ser inútil e contra a hipocrisia dos sacerdotes que não tinham um pacto verdadeiro com Deus, representado pela circuncisão.
"Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta:"
(...) Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais".(Atos 7:48 e 51)
Agora, em tempo de graça, nós somos o templo de Deus, cuidemos em conhecer as escrituras e fazer um pacto verdadeiro e perpétuo com Jesus, por meio de seu sangue, para que não sejamos destruídos.
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RELATÓRIO.
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